No dia 7 de maio ocorre o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, uma data que chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado dessa condição que, em 2023, afetava cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. A endometriose é uma doença crônica caracterizada pelo crescimento de um tecido semelhante ao endométrio fora do útero, provocando dor intensa durante o ciclo menstrual, nas relações sexuais, ao urinar ou evacuar, além causar sintomas como fadiga, náuseas, distensão abdominal e até impactos na fertilidade. Embora não haja uma cura definitiva, o manejo adequado dos sintomas é essencial para preservar a qualidade de vida, a saúde reprodutiva e o bem-estar físico e emocional das pacientes.
Nos últimos anos, estudos têm apontado o papel potencial da microbiota intestinal (MI) e vaginal na saúde ginecológica, incluindo a endometriose. A inflamação crônica e o desequilíbrio imunológico associados à doença podem ser agravados por uma MI desregulada. Uma das hipóteses que justifica isso é que a Ml pode produzir enzimas (como a β-glucuronidase e β-glucosidase) que desconjugam estrogênios e aumentam a reabsorção de estrogênio livre, levando ao aumento dos níveis deste hormônio na corrente sanguínea. Como a endometriose é uma doença estrogênio-dependente, esse processo pode contribuir para a manutenção de um ambiente hormonal favorável ao crescimento das lesões.
Um estudo piloto randomizado, triplo-cego e controlado por placebo foi conduzido com mulheres de idade entre 18 e 45 anos, diagnosticadas com endometriose. Todas essas mulheres haviam realizado a cirurgia por laparoscopia para a remoção das lesões endometrióticas causadas pela condição, sendo 3 meses o intervalo mínimo entre a operação e a participação no estudo. Foi observado que, durante as 8 semanas de suplementação de lactobacilos (Lactobacillus acidophilus, L. plantarum, L. fermentum e L. gasseri), as pontuações gerais de dor diminuíram significativamente, enquanto no grupo placebo esse efeito não ocorreu.
Nesse contexto, os probióticos vêm sendo estudados como aliados promissores no suporte aos cuidados da endometriose. Investir em estratégias complementares, como a suplementação com probióticos específicos, pode ser um passo importante na jornada de cuidado integral da mulher com esta condição. Embora mais estudos em humanos ainda sejam necessários, a utilização de cepas probióticas específicas surge como uma estratégia promissora no cuidado de mulheres com endometriose, contribuindo para o seu bem-estar geral e qualidade de vida.
Referências
- WHO, 2023. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/endometriosis
- Jiang, I., Yong, P. J., Allaire, C., & Bedaiwy, M. A. (2021). Intricate Connections between the Microbiota and Endometriosis. International journal of molecular sciences, 22(11), 5644. https://doi.org/10.3390/ijms22115644
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- Xholli, A., Cremonini, F., Perugi, I., Londero, A. P., & Cagnacci, A. (2023). Gut Microbiota and Endometriosis: Exploring the Relationship and Therapeutic Implications. Pharmaceuticals (Basel, Switzerland), 16(12), 1696. https://doi.org/10.3390/ph16121696